A secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec) articula uma estratégia voltada a intensificar a presença de mercadorias mato-grossenses no mercado da União Europeia e captar novos recursos externos. A iniciativa abrange adequação a normas comerciais e sanitárias, capacitação técnica e estreitamento de laços com entidades e companhias da Itália, pauta discutida recentemente em encontro com a Câmara de Comércio Italiana em Cuiabá (Italcam), membros do Legislativo estadual e a Procuradoria-Geral do Estado.
Parceria comercial consolidada
Historicamente, o comércio entre o território mato-grossense e a Itália apresenta números expressivos. No último ano, as vendas externas direcionadas ao país europeu ultrapassaram a marca de US$ 360 milhões, com predominância de soja, milho e carne bovina congelada. No panorama geral, o Estado acumulou exportações de US$ 26,5 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, registrando uma alta de 16,9% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Diferencial de preços na Europa
O bloco europeu atrai os produtores locais especialmente pelos preços atrativos pagos pela proteína animal. Dados do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac) apontam que, em fevereiro de 2026, a tonelada de carne bovina enviada de Mato Grosso para a União Europeia rendeu uma média de US$ 6.082,14, superando os valores praticados por compradores tradicionais, a exemplo da China.
Exigências e preparação institucional
Para o procurador do Estado Diego Marques Santana Miyoshi, representante da Sedec no evento, o aproveitamento pleno do Acordo Mercosul–União Europeia demanda alinhamento entre o setor público e as empresas. A entrada no bloco está condicionada a rígidos padrões de rastreabilidade, sanidade, certificação, origem e conformidade ecológica. “A redução tarifária não produz, por si só, acesso automático ao mercado europeu. A preferência comercial depende, portanto, de capacidade institucional e empresarial para comprovar origem, sanidade, rastreabilidade, regularidade ambiental, certificação e conformidade documental”, afirma.
Comissão e cooperação acadêmica
Como forma de estruturar esse processo, avalia-se a implantação de uma comissão permanente no âmbito estadual, com a missão de identificar demandas específicas de cada cadeia produtiva e superar barreiras alfandegárias, priorizando inicialmente os itens de origem animal.
Paralelamente, o Projeto Eumerc estabelece uma parceria de cooperação entre a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e as instituições de ensino italianas Roma Tre e Siena, viabilizando pesquisas e capacitações para orientar o setor produtivo sobre as normativas do tratado.
Atração de investimentos e industrialização
O alinhamento estratégico com a Itália também visa estimular a industrialização local da matéria-prima. Conforme avalia Miyoshi, existem perspectivas favoráveis para aportes financeiros em segmentos como agroindústria, bioenergia, maquinário e industrialização de alimentos. “O Estado pode atrair capital, tecnologia e empresas italianas para verticalizar cadeias produtivas em Mato Grosso”, destaca.
Com informações de Só Notícias — Economia









