Quem chega a Cotriguaçu pela entrada da cidade, no pórtico, encontra um barco que chama a atenção. Mas, para quem passa pelo local, muitas vezes a embarcação pode parecer apenas parte da paisagem. O que nem todos sabem é que o Capitão Nobre carrega uma história ligada à navegação pelo Rio Juruena e ao processo de desenvolvimento da região.
Em uma época em que praticamente não existiam estradas terrestres na região, o Rio Juruena desempenhava um papel fundamental como via de transporte. Por suas águas eram transportados pessoas, mantimentos, máquinas e cargas, contribuindo para a movimentação e o desenvolvimento das comunidades da região.
O Capitão Nobre também esteve ligado ao transporte utilizado nas atividades de garimpo, fazendo parte de um período importante da ocupação e da história do noroeste de Mato Grosso.
Após o encerramento da navegação, a embarcação permaneceu abandonada às margens do Rio Juruena, na região da Fazenda São Nicolau. Em novembro de 2022, uma mobilização que envolveu servidores municipais, voluntários e empresários possibilitou a retirada do barco. O trabalho durou cerca de 12 dias e ocorreu ainda durante a gestão do saudoso prefeito Olírio Oliveira dos Santos.
Posteriormente, o Capitão Nobre foi levado para a entrada da cidade e colocado junto ao pórtico, onde permanece atualmente.
Patrimônio histórico e cultural
A preservação da embarcação ganhou respaldo legal com a aprovação do Projeto de Lei nº 65 de 2025, de autoria do prefeito Moisés Ferreira de Jesus. A proposta foi aprovada pela Câmara Municipal e posteriormente sancionada como a Lei Municipal nº 1.373, de 3 de dezembro de 2025, que determina o tombamento do Capitão Nobre como patrimônio histórico e cultural de Cotriguaçu.
Com o tombamento, a embarcação passa a contar com proteção legal, e intervenções de restauração ou reforma devem seguir os procedimentos previstos na legislação.
Prefeitura trabalha para restaurar e preservar a embarcação
Agora, a Prefeitura de Cotriguaçu trabalha na elaboração de um projeto para buscar recursos que possibilitem a restauração do Capitão Nobre.
A intenção é recuperar a embarcação, preservando suas características e sua importância histórica, e posteriormente definir um local permanente e adequado para sua instalação.
O barco que hoje está no pórtico, portanto, não representa necessariamente seu local definitivo. A Prefeitura busca estruturar o projeto para viabilizar a recuperação da embarcação e criar uma estrutura adequada para que o Capitão Nobre possa permanecer preservado e acessível à população.
Mais do que uma antiga embarcação, o Capitão Nobre representa parte da memória de Cotriguaçu e da história da navegação pelo Rio Juruena.
Para quem passa pela entrada da cidade, aquele barco guarda uma história que envolve transporte, trabalho, garimpo, pioneiros e o desenvolvimento de uma região que, durante muitos anos, teve no rio uma de suas principais vias de ligação.
Redação: Nilson Cesar/Cotri Mt


















