As cotações do milho registraram variações recentes tanto no mercado internacional quanto nacional, com o grão spot em Chicago acumulando queda de 3,80% na semana passada. No Brasil, o contrato correspondente na B3 encerrou o período cotado a R$ 65,53 por saca, o que representou um recuo de 1,56%.
Fatores que movimentam o mercado interno
De acordo com a ferramenta Grainsights, da Grão Direto, diversos elementos influenciam o cereal após o pleito presidencial que reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva. O mercado interno apresenta uma oferta considerada folgada, mantendo os preços pressionados no país conforme levantamento do Cepea. Os compradores adotam postura cautelosa, mantendo estoques de curto prazo e acompanhando o andamento do plantio, ao passo que os agricultores demonstram maior flexibilidade para negociar, seja para gerar caixa, seja pelo receio de novas desvalorizações.
Em contrapartida, a demanda vinda das usinas de etanol de cereal e das indústrias de ração para aves e suínos permanece firme e com tendência de alta, segundo projeções da Conab, o que ajuda a estabelecer um patamar mínimo para as cotações.
Impacto do dólar nas exportações e na B3
As vendas externas de milho seguem em ritmo inferior ao registrado no ano anterior, e a perda de competitividade nos terminais portuários vinha pressionando os valores internamente. Com a valorização da moeda norte-americana após o pleito, a paridade de exportação tende a apresentar melhoras, injetando ânimo nas cotações dos portos e nos contratos futuros da B3, que operavam com viés de baixa. Contudo, devido à farta disponibilidade interna, a reação nos preços praticados no interior deve ocorrer de forma mais gradual em comparação aos portos, embora a semana tenha iniciado com o cereal em valorização superior a 3% na bolsa brasileira.
Cenário internacional e influência de Chicago
No exterior, a Bolsa de Chicago continua sob pressão em virtude do avanço da colheita nos Estados Unidos. O relatório de andamento de safra do USDA aponta que os trabalhos seguem abaixo da média histórica, mas tendem a acelerar com a previsão de tempo seco no Meio-Oeste. A firmeza da demanda externa pelo produto norte-americano limita perdas mais expressivas, embora o impacto de Chicago para o produtor brasileiro nesta semana deva ficar em segundo plano frente aos efeitos do câmbio e do ritmo de compras da indústria nacional.
Turbulência macroeconômica e reflexos financeiros
O encerramento das eleições presidenciais também provocou forte volatilidade na Bolsa de Valores. O Ibovespa registrou queda de 10% logo no leilão de abertura, acionando o mecanismo de circuit breaker pela primeira vez desde março de 2020. Na retomada, o índice aprofundou as perdas para mais de 16%, situando-se na faixa dos 171 mil pontos. Os juros futuros negociados na B3 também dispararam, com a taxa projetada para 2031 saltando de 12,58% para 14,46% ao ano nas primeiras horas de negociação.
Como reflexo da instabilidade, o Tesouro Nacional suspendeu os leilões de títulos prefixados e atrelados à inflação programados para o período. O Boletim Focus divulgado recentemente, com expectativas coletadas antes da votação, projetava a moeda norte-americana a R$ 5,05 no encerramento do ano, evidenciando a magnitude do ajuste ocorrido.
“Daqui para frente, o mercado vai acompanhar os primeiros sinais sobre as contas públicas e a composição da equipe econômica”, destaca o Grainsights.
A agenda econômica ainda contempla a decisão sobre as taxas de juros nos Estados Unidos, com expectativa de estabilidade, além da reunião do Copom marcada para o início de novembro. Se por um lado o câmbio elevado favorece a competitividade e a precificação da soja e do milho, por outro ele encarece insumos fundamentais como fertilizantes, defensivos agrícolas e o crédito vinculado à moeda estrangeira.
Com informações de Canal Rural — Agricultura









