A Secretaria Estadual de Saúde de Mato Grosso (SES-MT) conseguiu cortar mais de 60% do volume de processos indenizatórios na rede pública estadual, conforme balanço divulgado pelo secretário de Estado de Saúde, Juliano Melo, durante depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) nesta quarta-feira.
Gestão de unidades e queda de indenizações
Segundo o gestor, a retração nos processos decorre da diminuição de hospitais administrados de forma direta pelo estado. Neste ano, os Hospitais Regionais de Cáceres e de Sinop passaram a ser controlados por Organização Social e Consórcio Intermunicipal de Saúde, respectivamente. Além disso, as equipes técnicas empenham-se em converter gradativamente demandas indenizatórias em contratos formais.
“Estamos executando um trabalho muito forte, desde o ano passado, de buscar essa redução. Nós já conseguimos reduzir significativamente o número de processos indenizatórios e a perspectiva é diminuir cada vez mais”, afirmou o secretário Juliano Melo.
Desafios no atendimento domiciliar
O secretário pontuou que o setor de saúde possui particularidades complexas, citando o avanço na assistência domiciliar (home care) impulsionado por ordens judiciais. O montante destinado a esse serviço pressiona os números da pasta anualmente.
“Nós tivemos uma alta de home care no Estado entre 2022, principalmente, e até agora. Fechamos o ano inteiro de 2025 com quase R$ 300 milhões em home care. Todos esses processos são indenizatórios, porque não existe nem no governo federal um programa para home care. Então, para dar execução às determinações judiciais, é feito o indenizatório”, exemplificou.
Para solucionar o entrave, a SES-MT desenvolve um sistema de credenciamento para fornecedores de home care, visando padronizar o atendimento e atender às decisões da Justiça.
Repasses ao Hospital Central e o Einstein
Durante a oitiva, o titular da pasta também abordou os repasses financeiros direcionados ao Einstein Hospital Israelita, responsável pela administração do Hospital Central. Entre junho de 2025 e janeiro de 2026, o governo transferiu R$ 144,7 milhões à instituição antes mesmo da abertura oficial da unidade, conforme estipulado em contrato.
Do montante, mais de 60% foi aplicado na aquisição de maquinário e instrumentos médico-hospitalares. O saldo restante custeou o recrutamento e treinamento de funcionários, a montagem de equipes multiprofissionais e a definição de fluxos operacionais.
“Não se coloca um hospital para funcionar do dia para a noite, esse processo leva um tempo para ser maturado. E esse valor pago de forma antecipada é de custeio, que cobre todo o período até o início da operação em janeiro de 2026. Então é um valor para contratar todos os times, treinar, contratar gente para fazer manutenção, contratar gente para fazer limpeza, contratar gente para fazer instalação”, explicou.
Balanço de atendimentos e apoio parlamentar
Inaugurado em 19 de janeiro de 2026 com oferta exclusiva pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o Hospital Central contabilizou 35.035 procedimentos até setembro do mesmo ano, incluindo 3.904 internações, 8.241 consultas ambulatoriais, 19.287 exames diagnósticos, 2.199 cirurgias, 661 atendimentos de pronto-socorro regulados e 743 consultas em áreas como serviço social e odontologia.
O projeto recebeu elogios do deputado Wilson Santos durante a sabatina, que relembrou o histórico da estrutura, paralisada por mais de três décadas na capital mato-grossense. “Uma obra muito bem feita e que não deixa a desejar a nenhum hospital deste país, público ou privado. Fica aqui o meu testemunho, já estive lá várias vezes”, avaliou.
Com informações de Só Notícias — Política









