O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) concluiu a segunda edição do MBA em Gestão de Cidades, certificando 1.670 agentes públicos. O programa, realizado em parceria com a Fadisp, abrangeu representantes de 94 prefeituras, 27 câmaras municipais e 25 órgãos estaduais. Com foco em elevar a qualidade da administração pública, o presidente da corte, conselheiro Sérgio Ricardo, anunciou a meta de ofertar mais 2 mil vagas até 2027.
Foco em eficiência administrativa
A formação, que é totalmente gratuita, totalizou 360 horas de carga horária divididas em 24 módulos. O objetivo central é capacitar gestores, prefeitos e vereadores na formulação e implementação de políticas públicas eficazes. O conselheiro Sérgio Ricardo destacou a importância de investir no capital humano para transformar a realidade local.
“Eu quero, para Mato Grosso, políticos cada vez melhores, pois é neles que a gente confia a gestão, seja numa cidade pequena, numa cidade grande, na capital. Quando o Tribunal de Contas faz esse trabalho de capacitar o funcionário público, o ajuda a melhorar a gestão lá na cidade dele. A cidade vai ficar melhor, o estado vai ficar melhor e as pessoas vão viver melhor. Oferecemos aulas presenciais e online, com temas e assuntos fundamentais, importantes para melhorarmos a gestão”, declarou Sérgio Ricardo.
Expansão e novas diretrizes
Para os próximos anos, o TCE-MT planeja elevar o nível de sua unidade de ensino. A Escola Superior de Contas passará por uma transição para se tornar uma Escola de Governo, com a ambição de futuramente ser reconhecida como faculdade. O conselheiro também adiantou que pretende tornar a qualificação um critério de avaliação nas contas municipais.
“Nossa Escola de Contas vai se transformar agora em uma Escola de Governo. Futuramente, queremos transformá-la em uma faculdade. No ano passado, realizamos o primeiro curso de MBA com mil pessoas diplomadas. Neste ano, estamos finalizando o curso com 1.670 alunos, com participação de praticamente 100% das prefeituras, secretarias estaduais, câmaras de vereadores, entre outras instituições. Assim, nesses últimos dois anos, estamos chegando a quase 3 mil alunos formados”, pontuou o presidente. Além disso, ele reforçou: “Vou propor que todos os fiscalizados tenham um número mínimo de servidores qualificados pelo TCE-MT”.
Debate sobre cidades plataformizadas
A aula magna de encerramento contou com a participação do professor e ex-ministro do TSE, André Ramos Tavares, que abordou os desafios da tecnologia na gestão pública. O especialista alertou para os riscos e benefícios da digitalização dos serviços, tema que também foi endossado pelo promotor do MPMT, Carlos Eduardo Silva.
“É uma oportunidade de honra poder fazer essa aula magna de encerramento desse curso, que representa um grande avanço. É importante que o Tribunal também busque a melhoria da gestão pública por meio da oferta de informação e qualificação, que são alguns dos nossos grandes objetivos no país. Tudo isso são perspectivas sobre as quais estamos acostumados a falar, ver e ouvir, mas que precisam se concretizar no dia a dia”, pontuou Tavares.
Sobre a tecnologia, o ex-ministro complementou: “A plataformização é um fenômeno profundo, que envolve toda a sociedade, e tem impactos na gestão e na tomada de decisões. É importante chamar a atenção para quando e como o uso da tecnologia pode ser benéfico e quando, na verdade, pode provocar um engessamento que, mais adiante, se transforme em algo ainda pior, prejudicando a própria cidade, a sociedade e o gestor”.
O promotor Carlos Eduardo Silva reforçou o valor da iniciativa: “É uma iniciativa louvável do TCE, que permite a capacitação de servidores do estado inteiro”, afirmou, destacando que a tecnologia deve servir como ferramenta de governança responsável para atender às demandas da população.









