Arroba do boi gordo dispara e atinge média de R$ 389 no mercado paulista

O mercado pecuário paulista registra nova valorização na cotação do boi gordo, sustentada pela escassez de animais prontos para o abate e pelas precipitações constantes que prejudicam o escoamento da produção até as plantas frigoríficas. De acordo com dados levantados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, a arroba atingiu o patamar médio de R$ 389 na última quarta-feira (28).

Avanço acumulado em outubro

O Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq, com base nas transações à vista, apresenta um ganho de 6,79% no acumulado parcial de outubro, além de alta de 3,6% registrada apenas ao longo da semana.

Especialistas indicam que, além dos obstáculos logísticos gerados pelo clima wet, os criadores demonstram maior relutância em fechar negócios, apostando em novas escaladas de preço. Esse cenário de liquidez reduzida e restrição de oferta impulsiona o reajuste das cotações.

Pressão sobre as margens dos frigoríficos

Enquanto a matéria-prima segue encarecendo, o mercado atacadista de carne bovina na Grande São Paulo caminha em ritmo mais brando. O consumo enfraquecido na reta final do mês tem contido repasses maiores ao consumidor final.

A carcaça casada bovina fechou com média à vista de R$ 26,15 o quilo, assinalando variação positiva de 0,4% na semana. Com o equivalente da carcaça calculado em R$ 392,25 por arroba, a rentabilidade das indústrias processadoras sofreu forte compressão.

Impacto das chuvas e preços em outras regiões

O movimento de alta se repete em importantes polos pecuários do país, influenciado por fatores climáticos e custos elevados de reposição, como o boi magro negociado por cerca de R$ 4.600 por cabeça no Triângulo Mineiro.

No Triângulo Mineiro, os lotes registraram acréscimos de até R$ 5 por arroba, variando de R$ 365 a R$ 370, com escalas de abate estendidas entre sete e 11 dias. No centro-sul baiano, o clima chuvoso revitalizou as pastagens, motivando a retenção do rebanho nas fazendas e derrubando a disponibilidade para comercialização, com arroba cotada entre R$ 355 e R$ 365 e escalas de sete dias.

Por fim, o norte de Goiás manteve preços firmes entre R$ 360 e R$ 365 por arroba, com prazos de abate de seis a oito dias, consolidando um cenário nacional de oferta controlada e resistência vendedora.

Com informações de Canal Rural — Pecuária

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