Uso de fertilizante importado por hectare atinge menor patamar desde 2018

O Brasil reduziu a quantidade de fertilizantes importados para cada hectare cultivado no país. Nos primeiros nove meses de 2026, as importações de nitrogênio alcançaram a marca de 28,5 kg por hectare plantado, enquanto o fósforo registrou 19,3 kg na mesma proporção.

Dados históricos do setor Esses resultados representam os menores volumes registrados desde 2018, início da série estatística que cruza informações de importação do Comex Stat com as estimativas de área cultivada fornecidas pelo IBGE.

Na comparação com igual período do ano anterior, o recuo no nitrogênio chegou a 22,5%, visto que o índice anterior era de 36,8 kg por hectare. Já o fósforo teve retração de 10,5%, posicionando ambos os nutrientes cerca de 25% abaixo da média histórica dos últimos oito anos.

Expansão das lavouras e exceção do potássio O fenômeno ganha destaque porque a superfície agrícola segue em expansão. Durante o ano de 2026, a área plantada avançou 1,4% e atingiu 99,1 milhões de hectares, ao passo que as aquisições externas de nitrogênio diminuíram 21,5%, somando 2,82 milhões de toneladas. A única exceção foi o potássio, cujo índice por hectare permaneceu ligeiramente acima da média histórica.

“Hoje, não basta mais somente fornecer o nutriente, o grande desafio é fazer com que a planta consiga absorve, metabolizar e transformar isso em produtividade mesmo sob condições de estresse”, afirma Douglas Vaz-Tostes, especialista em manejo da GIROAgro.

Tendência na safra de verão O mesmo comportamento de retração se repete no ciclo de plantio atual. Entre julho e setembro, período de aquisições para a safra de verão, o país adquiriu 47,2 kg de nutrientes por hectare de grãos projetado pela Conab para a temporada 2026/27. O montante é quase 20% inferior ao observado no começo da safra passada e marca o patamar mais baixo dos últimos quatro ciclos, embora a área de grãos tenha crescido 2,3%, alcançando 85,4 milhões de hectares.

Metodologia e limitações do indicador O indicador mede a relação entre o volume importado e a área cultivada, deixando de refletir a dose efetivamente aplicada nas lavouras por não contabilizar estoques, a fabricação doméstica de adubos ou o timing das compras. Apesar disso, o índice serve como termômetro para avaliar o ambiente em que o produtor rural planeja a adubação da nova safra.

O papel das novas tecnologias Diante desse panorama, insumos alternativos e desenvolvimentos tecnológicos locais ganham relevância na agricultura brasileira, atuando em conjunto com os métodos tradicionais de adubação.

“A nutrição líquida tem papel complementar, não substitutivo, à adubação de base. O foliar é especialmente eficiente para corrigir deficiências pontuais e agir rapidamente em momentos críticos do ciclo, como floração e enchimento de grãos, mas não substitui a construção da fertilidade do solo ao longo do tempo.”, conclui o especialista.

Com informações de Canal Rural — Agricultura

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