O mercado físico brasileiro de soja encerrou a semana com viés de alta na maior parte das praças produtoras nesta sexta-feira (30). A sustentação veio principalmente do avanço do câmbio frente ao real, fator que compensou a instabilidade registrada no cenário externo, embora as negociações tenham ocorrido de forma pontual.
Com as atenções dos agricultores voltadas para o início da semeadura do novo ciclo agrícola, a liquidez seguiu reduzida no disponível. O analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, apontou que o patamar de ofertas permaneceu firme e que o ritmo de fechamento de contratos melhorou nos últimos dias, ainda que de maneira tímida: “Tivemos mais negócios registrados ao longo da semana, mas os volumes ainda não foram muito significativos”.
Cotações da soja nas principais praças do país
A maior parte dos polos de negociação e portos registrou acréscimos nos valores da saca de 60 quilos, com exceção de Mato Grosso do Sul:
- Passo Fundo (RS): avançou de R$ 153,00 para R$ 154,00
- Santa Rosa (RS): subiu de R$ 154,00 para R$ 155,00
- Cascavel (PR): passou de R$ 149,00 para R$ 150,00
- Rondonópolis (MT): subiu de R$ 141,00 para R$ 142,00
- Dourados (MS): recuou de R$ 143,00 para R$ 142,00
- Rio Verde (GO): subiu de R$ 141,00 para R$ 142,00
- Paranaguá (PR): valorizou de R$ 160,00 para R$ 161,00
- Rio Grande (RS): passou de R$ 161,00 para R$ 162,00
Desempenho misto na Bolsa de Chicago
Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), o encerramento da sexta-feira foi marcado por volatilidade e oscilações sem direção única, influenciado por ajustes técnicos e reposicionamento de carteiras de investidores. No balanço semanal, a oleaginosa acumulou baixa de 2,7%, enquanto no cômputo mensal a perda alcançou 5,73%.
Ao longo da sessão, compras técnicas de fundos e especuladores chegaram a puxar os preços para cima após as perdas recentes, estimulados por indicações de demanda aquecida e previsões climáticas com chuvas nos Estados Unidos, que ameaçam o ritmo da colheita. Entretanto, a perspectiva de oferta volumosa na safra norte-americana limitou o fôlego das altas na etapa final do pregão.
Em paralelo, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) foi notificado por exportadores privados sobre duas vendas para destinos não revelados: um lote de 165.150 toneladas destinado ao ciclo comercial 2026/27 e outro de 132.000 toneladas.
Fechamento dos contratos futuros e derivados
O contrato com entrega em janeiro encerrou com recuo de 0,50 centavo de dólar (-0,04%), negociado a US$ 12,34 1/4 por bushel. Em contrapartida, o vencimento para março teve leve ganho de 0,25 centavo (+0,02%), a US$ 12,43 3/4 por bushel.
Quanto aos derivados da commodity, o farelo de soja para entrega em dezembro caiu US$ 4,70 (-1,42%), estabelecendo-se em US$ 324,60 por tonelada. O óleo de soja com mesmo vencimento seguiu caminho oposto e subiu 0,26 centavo (+0,39%), cotado a 65,90 centavos de dólar por libra-peso.
Cenário cambial e valorização da moeda americana
O dólar comercial operou com forte valorização ao longo de todo o pregão e fechou com alta de 1,12%, cotado a R$ 5,4477 para venda e R$ 5,4457 para compra. Durante a sessão diária, o câmbio transitou entre a mínima de R$ 5,3872 e o pico de R$ 5,4637. Com esse desempenho, a divisa norte-americana acumulou um avanço de 9% na semana e encerrou o mês com ganho de 5,8%.
Com informações de Canal Rural — Agricultura









