Preço da soja sobe no Brasil mas negócios continuam travados

As cotações da soja registraram valorização em diversas praças brasileiras, impulsionadas por indicações de compra mais atraentes nos portos, embora o ritmo da comercialização tenha permanecido restrito a transações pontuais. De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a sessão foi marcada pela volatilidade do dólar e das cotações na Bolsa de Chicago, com algumas indicações de compra mais favoráveis, principalmente nos portos.

Plantio e comercialização no mercado físico

Apesar da melhora nas ofertas, os volumes negociados permaneceram reduzidos. Os prêmios de exportação não apresentaram alterações significativas, enquanto os produtores continuaram segurando os volumes restantes de soja. Segundo Silveira, o foco dos produtores permanece nos trabalhos de plantio da nova safra, o que também contribui para a movimentação limitada no mercado físico.

No cenário interno, a saca de 60 quilos apresentou avanço na maioria das praças monitoradas. Em Passo Fundo (RS), a cotação subiu de R$ 151,00 para R$ 152,00, enquanto em Santa Rosa (RS) passou de R$ 152,00 para R$ 153,00. No Paraná, Cascavel registrou alta de R$ 146,50 para R$ 148,00, e Paranaguá foi de R$ 157,50 para R$ 159,00.

Outras praças também mostraram ganhos, como Rondonópolis (MT), que subiu de R$ 140,00 para R$ 141,00, e Rio Verde (GO), avançando de R$ 140,00 para R$ 142,00. No Rio Grande do Sul, o porto de Rio Grande subiu de R$ 158,00 para R$ 159,00. A única exceção foi Dourados (MS), que manteve estabilidade cotada a R$ 142,00.

Desempenho da Bolsa de Chicago e cenário internacional

No exterior, a Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fechou o dia em baixa para o grão e para o óleo de soja, enquanto o farelo encerrou o pregão em terreno positivo. O mercado registrou o terceiro pregão consecutivo de perdas diante da pressão do avanço da colheita nos Estados Unidos, que amplia a oferta disponível, e das preocupações com a competitividade do produto norte-americano em meio à desvalorização do real.

As perdas, contudo, foram limitadas por compras de barganha e pela perspectiva de redução da safra brasileira em um cenário de El Niño forte. Dados de um estudo da Serasa Experian apontam que a produção nacional na temporada 2026/27 pode recuar para 163,6 milhões de toneladas sob forte influência do fenômeno climático, comparado a 181,2 milhões de toneladas em um cenário neutro.

Colheita nos Estados Unidos e variação dos contratos

No campo norte-americano, os trabalhos de campo avançaram e a colheita de soja atingiu 79% da área até o último domingo, mantendo-se em linha com as projeções do mercado. A colheita de milho alcançou 60%, conforme dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). No setor de demanda, exportadores privados dos EUA reportaram a venda de 120 mil toneladas do oleaginoso para destinos não revelados, com entrega agendada para a temporada 2026/27.

Em relação aos contratos futuros, os papéis da soja em grão para novembro fecharam em baixa de 4,75 centavos de dólar (0,38%), cotados a US$ 12,24½ por bushel. A posição janeiro encerrou a US$ 12,38 por bushel, com retração de 5 centavos de dólar (0,40%). Nos subprodutos, o farelo para dezembro subiu US$ 1,10 por tonelada (0,32%), fechando a US$ 335,70, ao passo que o óleo para dezembro encerrou a 65,56 centavos de dólar por libra-peso, recuando 1,15 centavo (1,72%).

Por fim, o mercado de câmbio encerrou o dia com o dólar comercial registrando leve baixa de 0,03%, negociado a R$ 5,3463 para venda e R$ 5,3443 para compra, após oscilar entre a mínima de R$ 5,3111 e a máxima de R$ 5,3986 durante a sessão.

Com informações de Canal Rural — Agricultura

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